Reinventando a picape aberta


Além da jabuticada e do penta campeonato de futebol, o segmento das picapes abertas derivadas de compactos é único do Brasil. Foi invenção da Fiat, que teve a ideia de cortar um 147 nos anos 70 para concorrer vejam só, com a Kombi... depois veio a Saveiro e o resto todo mundo sabe: picapes no Brasil são duas coisas, carros de trabalho e carros esportivos, com um toque de off-road. A fórmula está inclusive sendo exportada: na América Latina há exportações de picapes nacionais. Nos EUA, o mercado é outro, grandes picapes com o mesmo tempero, misto de trabalho, passeio e esporte, dominam por lá, enquanto que na Europa, picape quase não existe, só furgão.
É um mercado importante: picapinhas vendem muito e dão força a empresa. A Fiat mantém-se na liderança em parte devido a força da Strada em seu segmento. Também pudera, há literalmente, dezenas de versões desse modelo, tornando-o quase uma submarca própria dentro da Fiat, independente até mesmo da família Palio. E é da Fiat a inovação da cabine estendida, copiada anos depois pela atual Saveiro. Agora, mais uma vez a Fiat ousa e lança uma picape compacta de cabine dupla.
Há concorrentes de peso, todos aliando a proposta tríplice, trabalho-passeio-esporte. Para isso precisa ter espaço na caçamba, espaço na cabine, motor mais esperto e algum adereço. Como se vê, itens nem sempre compatíveis. Como ter um carro com espaço na caçamba para trabalho e ao mesmo tempo ser esportivo? Motor forte para o esportivo mas econômico para uma empresa? Adereços de off-road mas preço competitivo? A Fiat resolveu tudo isso criando as dezenas de versões da Strada. Já a VW foi menos ousada e tem na Saveiro apenas um duplo, cabine simples, cabine estendida. E se quiser, versões mais caras, cheias de enfeites.
A GM tem na Montana um dos designs mais felizes dos últimos anos. Quase todo mundo acha a picapinha derivada do Corsa bonita. Ela está para mudar, deixando livre o espaço para uma picape derivada do Agile. Deve ser tarefa difícil substituir um carro tão belo. Até mesmo as versões mais simplórias, feitas só para firmas, tem algum apelo estético.
A Ford tem na Courier apenas um carro de trabalho. É aliás uma contradição, pois é justamente a Ford que manda no mercado de picapes grandes americano. Tá bem, são carros bem diferentes, mas é estranho que por aqui ela não tenha sequer uma participação efetiva. E carro para derivar ela tem, tanto o Fiesta quando o Ka. Uma marca que consegue a proeza de NÃO vender o Focus, consegue outras proezas também...
Agora chegou a vez dos franceses: esta é a Hoggar, a picape do 207. Li num blog que ela já chega feia. Verdade é que achei-a comprida demais, vocacionada demais a carga e menos esportiva do que deveria ser. (ou alguém aí acha que alguém vai comprar uma picape 207 para jogar sacos de milhos lá atrás?) Mesmo assim, não a considero feia. A frente do 207 é feliz, a lateral é inspirada ( e copiada da Montana, não tem jeito...) e a traseira, que sempre fica meio a mesma coisa em todas as picapes, tem personalidade, com amplas lanternas laterais ( que vão fazer fortuna nos funileiros...). É esperar para ver preços, mas a Peugeot tem um produto que vai fazer estrago na concorrência e que aliás, completa em definitivo a família 207, de compacto básico, passando por perua, sedan e compacto equipado, agora com picape.
Com a chegada em breve da picape Agile, teremos uma renovação no segmento. Parece que a invenção brasileira não pára de se reinventar.

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