Será que ela está com essa bola toda ?

A fim está próximo para as duas americanas : se até 30 de abril a Chrysler não conseguir fechar sua venda para a Fiat, o governo dos EUA já bateu o martelo, vai deixar falir a empresa. A Fiat quer comprar a americana sem desembolsar dinheiro vivo, mas trocando ações por tecnologia em carros compactos ( quem diria, Punto e Palio um dia, iriam "comprar" a Chrysler...), mas a Fiat não quer arcar com as pesadas dívidas da Chrysler, incluindo planos de saúde com dívidas bilionárias. Ao mesmo tempo, a Fiat só se interessaria em comprar a americana se pudesse fechar praticamente toda a sua produção nos EUA, já que iria recomeçar a empresa do zero. Credores e trabalhadores da Chrysler acham que as condições da Fiat são draconianas demais, e querem que os italianos não fechem fábricas e injetem dinheiro na empresa. A Fiat não é tola: sabe que um dia a Chrysler foi da Mercedes e que os alemães venderam a empresa por um décimo do que compraram, amargando imensos prejuízos. Na verdade, a Fiat só se interessa pela americana se : 1-não botar dinheiro vivo nela, 2-não ficar com dívidas enormes, 3-fechar tudo que puder fechar. A Fiat está de olho na marca, ainda muito amada pelos americanos, e na rede de distribuição, mas não nas estruturas produtivas, arcaicas e com modelos obsoletos.
Enquanto isso, a GM também vai chegando no fim da linha: se ela mesma não encontrar solução para suas dívidas, os credores da empresa poderão acionar suas dívidas na justica e o governo americano vai parar de emprestar dinheiro para ela, ou seja, também vai falir. Surge de novo a Fiat, como potencial candidata a comprar, ou seja, desta vez botar dinheiro vivo, na duas subsidiárias mais lucrativas da GM, a Opel alemã e a Chevrolet latino-americana. Se a Fiat comprar essas duas unidades, a GM poderia conseguir bom dinheiro, fechar fábricas nos EUA, diminuir drasticamente de tamanho, mas continuar operando como empresa independente, livre da falência e com menos dívidas. De novo, a Fiat surge como salvadora nos EUA... mas a Fiat nega que esteja querendo comprar a Opel, e os trabalhadores alemães já disseram que não querem ser comprados por ela, com certeza temendo massas de demissões.
Há outros interessados na Opel alemã, incluindo alguns financeiros, pois trata-se de empresa saudável, com produtos altamente competitivos e avançada tecnologia, ao contrário do Jurassic Park que é a GM americana. O problema é que hoje em dia ninguém tem dinheiro em caixa para sair por aí comprando empresas desse porte.
Nem a Fiat, que está amargando pesados prejuízos na Europa.
Enfim, a situação é de pré-colapso. Para a Fiat, comprar a parte européia e latino americana da GM, o que incluiria o Brasil, é bom negócio. Duas marcas e estruturas produtivas enxutas, bem colocadas nos seus mercados, embora com imensa sobreposição de produtos ( só no Brasil, imagine Celta e Mille, Corsa e Palio, Montana e Strada, brigando no mercado, mas sendo da mesma empresa.) O problema é : será que a Fiat está com essa bola toda? Interessante notar o silêncio de outros possíveis interessados, como a Toyota, que conseguiria da noite pro dia ganhar anos de mercado em duas regiões onde ela é fraca, Europa e América Latina. Ou mesmo de outros possíveis novos players, como a Tata, a mais nova refundadora do automóvel com o Nano.
GM e Chrysler podem simplesmente falir e a Fiat pode comprar uma ou outra ou nenhuma. Mas a verdade é uma só: enquanto as marcas tradicionais sofrem prejuízos e se vêem à beira da ruína, um carrinho com rodas de 12 polegadas já atingiu mais de 500 mil pedidos na Índia, menos de um mês depois do lançamento. O Nano e seu motor de 33 cv é hoje o carro mais rápido e invejado do mundo...

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